A Prefeitura de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, confirmou mais uma morte suspeita de intoxicação por metanol. Com o novo registro, o estado passar a somar seis óbitos, dos quais um já foi confirmado e cinco ainda aguardam laudo do IML (Instituto Médico Legal) para confirmar ou descartar a contaminação com substância tóxica. A sexta vítima é um homem de 49 anos que morreu em casa.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, são 37 casos registrados de intoxicação por metanol em todo o estado, sendo dez confirmados e 27 em investigação. O dado difere dos números divulgados pelo Ministério da Saúde, que confirmou ter recebido 39 casos no estado, sendo dez confirmados e 29 em investigação. Além desses, o ministério diz que há quatro casos investigados em Pernambuco. No total, a pasta afirma ter recebido 43 notificações de intoxicação por metanol de todo o país.
O estado de Pernambuco, porém, afirmou que investiga três ocorrências suspeitas de intoxicação por metanol: duas mortes e um caso de perda de visão. Os episódios ocorreram nos municípios de Lajedo e João Alfredo, no Agreste. O governo local não confirmou se há relação com consumo de bebida alcoólica adulterada, apenas cita o consumo de “bebidas suspeitas”.
A Prefeitura de São Bernardo do Campo afirmou que, até a manhã desta quarta-feira (1º), recebeu 13 notificações de suspeita de intoxicação por metanol. Entre elas, há quatro mortes, todas de homens, de 38 a 58 anos, além de nove pessoas atendidas na rede pública e privada do município que relataram consumo de bebidas supostamente adulteradas na cidade.
Entre os hospitalizados na cidade, o quadro mais grave é de uma mulher de 30 anos internada em UTI, sedada e em hemodiálise, com contaminação confirmada por metanol. Outros casos incluem pacientes que apresentaram sintomas como perda de visão, tremores, dor de cabeça, fraqueza e mal-estar, alguns já liberados após atendimento, outros em estado estável.
O Ministério da Saúde instalou nesta quarta uma Sala de Situação para monitorar os casos de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica e coordenar as medidas a serem adotadas. O órgão afirma que o total de casos registrados entre agosto até esta quarta-feira (1º) acende um alerta para a possível adulteração de bebidas alcoólicas. Até então, o Brasil contabilizava cerca de 20 casos de intoxicação por metanol ao longo de todo um ano, o que torna o atual cenário atípico.
A sala é um espaço onde a informação em saúde vai ser analisada sistematicamente por uma equipe técnica para caracterizar a situação de saúde da população intoxicada por metanol. A equipe vai planejar, organizar, coordenar e controlar as medidas a serem adotadas.
Altamente tóxico para o corpo humano, o metanol atinge principalmente o fígado, mas também pode provocar lesões no nervo óptico e causar cegueira. Os sintomas da intoxicação se assemelham aos de uma ressaca, o que pode dificultar sua identificação. Além disso, as bebidas podem aparentar estar normais, inclusive no gosto.
Nesta quarta-feira (1º), a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária fizeram uma nova operação de fiscalização em estabelecimentos comerciais de São Paulo suspeitos de vender bebida alcoólica contaminada com metanol. Até o momento, são seis bares interditados na capital e cidades da região metropolitana: São Bernardo do Campo e Barueri.
Um dos alvos foi o Supermercado BBR, na Bela Vista, região central da capital, onde foram apreendidas garrafas de destilados cheias e vazias. Procurada pela reportagem no local, a gerente afirmou que o estabelecimento falaria mais tarde sobre a operação.
De acordo com Isa Léa Abramavicus, delegada da Divisão de Investigações sobre Infrações contra a Saúde Pública, o mercado é um dos fornecedores de bebida alcoólica do bar Ministrão, que foi interditado nesta terça (30) por suspeita de venda de destilados adulterados com metanol. Uma mulher relatou ter ficado cega após consumir caipirinhas de vodca no bar, que fica na alameda Lorena, nos Jardins.
Em comunicado divulgado em seu perfil no Instagram, o Ministrão afirmou que todas as bebidas do estabelecimento são adquiridas de fornecedores oficiais, com nota fiscal e procedência garantida, provenientes de grandes distribuidoras reconhecidas no mercado. Disse ainda que a equipe jurídica está em contato com os fornecedores e que uma nota oficial será divulgada em breve.
“Reforçamos nosso compromisso com a segurança, a transparência e o respeito aos nossos clientes”, escreveu o Ministrão em nota.
Também foram vistoriados um segundo estabelecimento na Bela Vista e outros dois em Barueri. Nenhum dos três teve o nome divulgado. Segundo as autoridades, a divulgação dos nomes atrapalharia a investigação. A operação teve apoio do Procon e da Secretaria da Fazenda.
Na terça-feira (30) foram fechados um estabelecimento na Mooca (zona leste) e outro em São Bernardo do Campo. Já uma distribuidora na região do M’Boi Mirim, na zona sul da capital, foi parcialmente interditada.