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Segurança une centrão e bolsonarismo contra Lula e amplia crise de confiança entre governo e Congresso

por Da Redação
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Os blocos de direita e centro-direita na Câmara se uniram novamente na terça-feira (18) contra a esquerda em um tema que tem se mostrado, por ora, a principal dor de cabeça de Lula na sua tentativa de se reeleger em 2026: a segurança pública.

O chamado PL Antifacção foi aprovado 370 votos a favor e 110 contra, num revés ao Palácio do Planalto, que viu seu projeto ser alterado e tentou adiar a apreciação da matéria após discordar de mudanças feitas. Partidos com representantes na Esplanada dos Ministérios entregaram 60% dos votos favoráveis, em mais um sinal da fragilidade da base aliada no Congresso.

A aprovação ocorreu após um momento de abalo na aliança centrão-bolsonarismo, que havia sido fragilizada pela reação do governo Lula junto à opinião pública com o discurso em defesa da justiça tributária e da soberania nacional.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 12 mostrou freio na recuperação da popularidade do petista, na esteira da repercussão da operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro.

Desde então, a segurança pública passou a dominar o debate político, e o tema tem sido tratado pelo bolsonarismo e pelo centrão como uma injeção de ânimo para 2026.

Aliados de Lula defendam que a gestão retome o foco na agenda da justiça tributária e nos programas sociais para evitar maiores desgastes.

Mas o governo federal e parte de sua base tentaram disputar espaço no campo da segurança, historicamente associado à direita. O texto original do PL Antifacção era a principal aposta do presidente da República para responder à megaoperação no Rio.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a votação do projeto gera uma “crise de confiança” do governo com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

“É claro que tem uma crise aqui de confiança, é claro que todo mundo sabe que o presidente [Lula] reclamou muito, é um projeto de autoria do Poder Executivo”, afirmou Lindbergh.

De acordo com auxiliares de Lula, foi o próprio presidente que deu a orientação para que a base governista fosse para o embate político na discussão da matéria da Câmara, afirmando que era preciso disputar essa narrativa.

Nesta quarta (19), em publicação nas redes, o presidente afirmou que a proposta, da forma como avançou, enfraquece o combate ao crime e gera insegurança jurídica. Ele disse que foram alterados “pontos centrais” do texto enviado pelo Executivo e que “trocar o certo pelo duvidoso só favorece quem quer escapar da lei”.

O tom também foi adotado por aliados próximos do presidente, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele afirmou que a proposta chancelada pelos deputados “asfixia financeiramente a Polícia Federal, e não o crime organizado”.

Segundo interlocutores de Lula, esse é o tom que governistas deverão adotar daqui para frente, problematizando os pontos alterados no relatório de Derrite e reforçando a tese que o combate ao crime organizado deve mirar “o andar de cima”.

Além da disputa pela paternidade da proposta entre o governo Lula e o relator, Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança Pública de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a votação do projeto renovou o sentimento de desconfiança do Palácio do Planalto com Motta.

Na Casa, houve vaivém de relatórios de Derrite, e a votação, originalmente prevista para a semana passada, foi adiada diante de críticas que o texto recebeu de governistas, oposicionistas e até mesmo do centrão.

Com minoria na Casa, aliados de Lula passaram a associar a proposta ao objetivo de enfraquecer a atuação da Polícia Federal e de blindar investigações feitas pela corporação, numa tentativa de mobilizar a opinião pública —resgatando estratégia usada na defesa da agenda de justiça tributária, estimulando o discurso “nós contra eles”, com críticas ao Congresso.

Já Motta e lideranças da Câmara criticaram essa postura e classificaram como narrativas qualquer tentativa de desidratar as competências da PF.

O presidente da Câmara intensificou a participação em programas jornalísticos e escalou aliados para defender publicamente o texto.

Ele e os parlamentares insistiram em definir o projeto como a “mais dura resposta da história da Câmara” ao crime organizado, dando protagonismo ao Legislativo nesse processo, em detrimento do Executivo.

Nesta quinta, Motta concedeu duas entrevistas e elevou o tom contra o governo, dizendo que o Planalto errou de ir contra o projeto e, agora, terá de se explicar à sociedade.

Em outro momento, foi às redes rebater a publicação de Lula —apesar de não citá-lo nominalmente—, criticando o que classificou como “inverdades” acerca do texto aprovado e dizendo que “é muito grave que se tente distorcer os efeitos” da norma. “O governo optou pelo caminho errado ao não compor essa corrente de união para combater a criminalidade”, publicou.

Em seguida, os líderes do PP e do União Brasil também reforçaram o coro com novas publicações criticando declarações de governistas e defendendo o texto aprovado.

A aposta de aliados de Lula é que o Senado poderá rever pontos considerados problemáticos.

Eles criticaram a condução de Motta no processo, desde a designação de Derrite para relator até o que consideraram um açodamento na votação e falta de abertura ao diálogo.

Há uma avaliação de que o parlamentar é oscilante e dá sinalizações dúbias. Ele foi eleito presidente da Câmara com apoio do PT ao PL e, desde o começo de sua gestão, tem feito gestos de um lado a outro, tornando-se alvo de críticas. Governistas afirmam, no entanto, que em momentos cruciais neste ano, ele esteve mais alinhado com a oposição do que com o governo.

Após a votação, Motta fez um discurso no qual afirmou que a função do Parlamento “não é carimbar um projeto e passar adiante”.

“O compromisso do Parlamento é debater as matérias e entregar a melhor versão possível. Estou seguro que o texto aprovado hoje é a melhor versão para enfrentar o crime organizado”, disse.

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