Casa BrasilSob pressão, Castro muda o tom e tenta agradar Moraes após massacre no Rio

Sob pressão, Castro muda o tom e tenta agradar Moraes após massacre no Rio

por Caique Lima
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Alexandre de Moraes, Cláudio Castro e coronel Marcelo Menezes durante visita ao Centro Integrado de Comando e Controle. Foto: Divulgação

A reunião entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), começou sob clima tenso, mas terminou de forma amistosa. Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, o magistrado disse a interlocutores que o encontro foi “bom e produtivo”, com apresentação detalhada de dados e informações sobre a Operação Contenção.

Castro e seus secretários de segurança, Victor Santos, Felipe Curi e Marcelo de Menezes Nogueira, chegaram ao encontro munidos de relatórios, imagens e petições. Segundo Moraes, a equipe estava preparada e apresentou as respostas solicitadas de maneira completa. O governador enviou ao STF um documento em que afirma que a operação respeitou as regras da Corte e que houve “emprego proporcional da força”.

A reunião, realizada no Centro Integrado de Comando e Controle, ocorreu a portas fechadas. Moraes havia pedido explicações ao governo fluminense após declarações de Castro, que chamou a ADPF das Favelas de “maldita”. A norma, criada pelo Supremo, estabelece limites às ações policiais em comunidades, visando reduzir abusos e mortes em operações.

O ministro assumiu temporariamente a relatoria da ADPF após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Desde então, tem cobrado do governo estadual relatórios sobre o cumprimento das determinações e sobre a letalidade das ações.

Corpos de mortos em massacre no Rio de Janeiro são retirados pela Defesa Civil. Foto: José Lucena/Agência O Globo

Fontes do governo do Rio confirmaram que a tensão inicial da reunião foi resultado direto das críticas públicas do governador. Apesar disso, o diálogo evoluiu, e Moraes classificou a conversa como cordial e técnica. Ele pretende agora analisar com profundidade os dados recebidos antes de tomar novas decisões.

Além de Castro e sua equipe, Moraes também se reuniu com representantes da Defensoria Pública do Estado, responsáveis por acompanhar as investigações de mortes e denúncias de abusos cometidos por agentes de segurança.

A Operação Contenção, descrita por analistas como massacre, é defendida pelo governo fluminense como necessária. De acordo com o Datafolha, 57% dos moradores da capital e da região metropolitana do Rio afirmaram concordar com o governador, considerando a operação “um sucesso”.

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