A vereadora Maysa Leão (Republicanos) criticou, nesta terça-feira (02.12), a condução do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), na política de atendimento às vítimas de violência sexual. Durante sessão ordinária na Câmara Municipal, ela afirmou que a gestão tem negligenciado o amparo a mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade e agravado obstáculos no acesso aos serviços de saúde.
A parlamentar retomou denúncias que vem fazendo desde o início do mandato e citou, como exemplo, o fechamento da antiga Rede Sentinela, estrutura de acolhimento que funcionava em unidades de pronto atendimento. Segundo ela, a Prefeitura justificou a desativação por inadequações estruturais, mas poderia ter reformado ou readequado o espaço. “Ele optou por fechar. Optou por centralizar o atendimento no HMC. Optou por deixar mais difícil para as mulheres vítimas de violência”, disse.
No discurso, Maysa relacionou a crítica à situação nacional de violência contra mulheres e meninas e ao cenário local, que, segundo ela, exige resposta urgente do município. A vereadora citou indicadores de violência sexual e afirmou que “meninas estupradas no município de Cuiabá, do estado campeão em estupro de vulneráveis, não têm para onde ir”.
Ela também atacou o que classificou como um padrão de conduta do prefeito em relação aos servidores e à população usuária dos serviços públicos. “O gestor municipal está preocupado em humilhar pessoas… dizer que médico não presta, que enfermeiro não presta, que a população só quer pegar atestado na UPA”, afirmou.
Cuiabá está entre as capitais com maior taxa de estupros
Dados da edição 2025 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que Cuiabá figura entre as 50 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes com as maiores taxas de estupro. Em 2024, a capital ocupou a 43ª posição, com uma taxa de 63,7 ocorrências para cada 100 mil habitantes.
O estado de Mato Grosso apresentou aumento nas notificações de violência sexual. A taxa de estupro de vulnerável chegou a 55 casos por 100 mil habitantes em 2024, alta de 12% em relação ao ano anterior. A taxa geral de estupros ficou em 15,6.
O levantamento também destaca que duas cidades mato-grossenses estão no grupo dos dez municípios com maiores índices de estupro e estupro de vulnerável no país. Sorriso aparece na 2ª posição do ranking nacional, com 131,9 casos por 100 mil habitantes, em 2023, havia liderado a lista. Tangará da Serra, por sua vez, subiu da 45ª para a 7ª posição, registrando taxa de 99,5 casos. Sinop também integra o ranking e ocupa a 20ª posição, com taxa de 81,5 estupros por 100 mil habitantes. A capital completa o grupo das quatro cidades do estado presentes na lista.
A Secretaria da Mulher foi procurada pela redação para esclarecimentos, mas até a publicação desta matéria não havia se manifestado. O espaço segue aberto.
