Trabalhadores da coleta de lixo de Cuiabá e Várzea Grande formalizaram uma denúncia no Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Limpeza Pública e Saneamento de Mato Grosso (SINDILIMP). O documento acusa a atual administração da entidade de prática de irregularidades que prejudicam diretamente a categoria.
Entre as principais acusações estão os descontos abusivos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que reduzem a remuneração dos garis e comprometem o sustento de suas famílias. Os trabalhadores também denunciam a omissão do sindicato diante das irregularidades cometidas pela empresa Locar Saneamento, já comprovadas por fiscalização do Ministério do Trabalho no início deste ano.
Outro ponto destacado é a falta de assistência jurídica aos associados, mesmo sendo cobrada mensalmente na folha de pagamento – direito previsto na CCT, mas não cumprido na prática. Além disso, o SINDILIMP é acusado de não prestar contas de forma transparente aos trabalhadores e de se recusar a cobrar o reajuste salarial devido desde julho de 2025.
Exclusão dos trabalhadores das negociações
A denúncia também revela que, nesta quinta-feira, o SINDILIMP se recusou pela terceira vez a incluir uma comissão de garis nas audiências de mediação que vêm ocorrendo com a Locar Saneamento, sob mediação de um procurador do MPT da 23ª Região. As reuniões são realizadas sob sigilo, e os trabalhadores não têm acesso a qualquer informação sobre as discussões que afetam diretamente seus direitos.
“Estamos sendo duplamente prejudicados: pela empresa, que nos explora, e pelo sindicato, que deveria nos defender”, afirmou um dos garis que preferiu não se identificar.
Além das questões sindicais, os garis enfrentam condições de trabalho precárias: falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), jornadas excessivas, ausência de banheiros adequados e exposição prolongada ao sol. Agora, somam-se a isso a falta de transparência e a inação da entidade que deveria representá-los.
