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O segundo filho de Ali Khamenei assume o comando da República Islâmica neste domingo (8), sucedendo o pai morto em ataque aéreo e consolidando uma sucessão hereditária inédita desde a Revolução de 1979.
Escolhido pela Assembleia de Especialistas em meio à escalada militar com os EUA e Israel, Mojtaba assume o posto máximo sem o título de aiatolá e sob a sombra da influência da Guarda Revolucionária.
O tabuleiro geopolítico do Oriente Médio sofreu um abalo definitivo nesta manhã. Após a morte de Ali Khamenei — vitimado por uma ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra sua residência oficial no último sábado (28) — a Assembleia de Especialistas agiu rápido. O anúncio de Mojtaba Khamenei como o terceiro Líder Supremo da história do Irã encerra décadas de especulação e levanta questões sobre a continuidade do regime teocrático em um cenário de guerra aberta.
Sucessão hereditária e o fantasma da Revolução
A ascensão de Mojtaba desafia um dos pilares da Revolução Islâmica de 1979: o fim do poder dinástico. Ironicamente, o modelo que derrubou o Xá Mohammad Reza Pahlavi agora se curva à linhagem de Khamenei. Assim como seu pai em 1989, Mojtaba não possui o grau de aiatolá, o que exigirá manobras institucionais para legitimar sua autoridade religiosa perante a hierarquia xiita.
Sua trajetória é marcada pelos bastidores e pela linha dura. Associado à repressão dos protestos de 2009 e próximo à cúpula da Guarda Revolucionária, o novo líder é visto como uma figura de continuidade militarista. A escolha ocorre dias após Donald Trump afirmar que possíveis sucessores moderados estariam “mortos” após os ataques a Qom, deixando o vácuo de poder para ser preenchido pelo núcleo mais fiel ao sistema.
O “Dia Seguinte” sob bombardeio
O anúncio de Mojtaba desmonta a junta provisória que havia sido estabelecida pelo presidente Masoud Pezeshkian logo após o ataque. A presença de Alireza Arafi como interino durou pouco, evidenciando que, em momentos de ameaça existencial ao regime, a confiança no círculo familiar e na Guarda Revolucionária prevaleceu sobre coalizões mais amplas.
Com a residência oficial e o prédio da Assembleia de Especialistas em Qom na mira de mísseis ocidentais, a posse de Mojtaba não é apenas uma troca de comando, mas uma declaração de guerra. O Irã sinaliza que não haverá transição para um modelo menos hostil, mas sim um fechamento de fileiras em torno de uma figura que já nasceu no coração do poder islâmico.
O fator Trump e o isolamento total
A retórica de Washington, que sob Trump intensificou a ofensiva direta contra as lideranças iranianas, parece ter acelerado um processo que poderia levar anos. Ao eliminar o comando central, os EUA e Israel forçaram uma sucessão de emergência. Mojtaba assume um país ferido, com sua infraestrutura de poder sob ataque e uma economia estrangulada, mas com o controle total das forças armadas e do aparato de inteligência.
