O cuiabano pode esquecer. Não tem prefeito. Não tem prefeito ocupado em resolver os problemas da cidade. O prefeito Abilio Brunini (PL) está mais preocupado e ocupado com seus interesses pessoais e eleitorais: eleger a esposa, dona Samantha, deputada ou mesmo cavar uma vaga de vice-governadora e eleger o seu parceiro da hora, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Para isso, sem a mínima vergonha, assumiu o papel ridículo de “xerife ideológico” dos adversários.
A serviço da candidatura ao governo do vice Otaviano Pivetta (Republicanos), o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), é o novo xerifão da política. Exige atestado ideológico de aliados e adversários. Abilio exige que os pré-candidatos se ajoelhem e façam uma oração ideológica de submissão ao Deus do Deboche Jair Bolsonaro, líder da extrema direita do Brasil.
O prefeito que virou xerife deveria começar a cobrança pelo seu próprio candidato a governador, o vice Otaviano Pivetta. Nenhum político brasileiro, nem de esquerda, foi mais cruel nos ataques a Jair Bolsonaro do que Otaviano Pivetta. Ele gravou um célebre áudio xingando Bolsonaro, falando do seu despreparo para ser presidente. Abilio Xerife vai cobrar publicamente que Otaviano grave um novo áudio com pedido de desculpas a Jair Bolsonaro, fazendo juras de amor à “competência e honestidade” do ex-presidente preso por tentativa de golpe?
A polarização entre esquerda e extrema direita é um debate conveniente para alguns grupos políticos, porque dispensam as discussões mais aprofundadas sobre temas da vida real, sobre problemas da vida real das pessoas. Reduzir o interesse público à ideologia é um atestado de atraso, um atestado de ignorância. Na disputa pelos cargos majoritários, presidente, governador e senador, o que deve pesar é 1) a trajetória dos candidatos, inclusive a reputação pessoal, e 2) aquilo que pretendem fazer pelas pessoas e pelo estado ou pelo país.
No mais, é fato. A coragem de Abilio é seletiva, apequenada. Ele só ataca as mulheres. Ao tentar enquadrar a deputada estadual Janaína Riva (MDB), cobrando posições ideológicas, Abilio revela-se o machão de sempre. Até agora não se ouviu uma palavra dele para cobrar, por exemplo, o governador Mauro Mendes (União) para dar explicações sobre o Escândalo da Oi, a denúncia de desvio de 308 milhões de reais de dinheiro público. Abilio vai ter coragem de perguntar para o governador, usando o melhor do vocabulário cuiabano: “Mauro, você panhô ou não panhô” o dinheiro público no Escândalo da Oi”?
