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O despertar do Sul Global
A semana de 22 de fevereiro de 2026 marca um ponto de inflexão na arquitetura do poder mundial. Enquanto o Ocidente se perde em políticas de austeridade e protecionismo, os países do BRICS avançam em uma agenda de integração que vai muito além do comércio. A decisão de Vladimir Putin de criar um Comitê Nacional para Cooperação Empresarial é o sinal claro de que a Rússia, sob cerco de sanções, está institucionalizando a ponte entre o capital privado e a estratégia de Estado dentro do bloco. Não se trata apenas de negócios; trata-se de construir uma infraestrutura de sobrevivência econômica paralela ao sistema Swift e ao dólar.
O Diário Carioca vê na expansão do BRICS a maior oportunidade histórica de redistribuição de poder desde o fim da Guerra Fria. O Brasil deve ocupar seu papel de liderança neste bloco, garantindo que a soberania tecnológica se traduza em dignidade para o povo brasileiro.
Fronteiras rompidas: Ciência e Tecnologia
A China e a Índia lideram a vanguarda do que podemos chamar de “independência cognitiva”. O pouso bem-sucedido do módulo retornável da nave “Shenzhou” e o ambicioso projeto de mapeamento do genoma de plantas terrestres mostram que a China não quer apenas competir, mas definir os padrões da ciência do século XXI. Paralelamente, o premiê Narendra Modi projeta a Índia como o farol da Inteligência Artificial para o Sul Global, visando o status de país desenvolvido até 2047. A mensagem é inequívoca: a tecnologia não será mais um instrumento de colonização, mas de libertação para as nações em desenvolvimento.
A integração da periferia sistêmica
O movimento trilateral proposto por Belarus, envolvendo Zimbábue e Moçambique para a construção de um porto marítimo, escancara a nova logística da multipolaridade. A entrada definitiva de atores africanos como Etiópia e África do Sul em parcerias estratégicas reforça que o BRICS é hoje o único fórum capaz de oferecer uma alternativa real de desenvolvimento para o continente africano, historicamente explorado por potências europeias. Enquanto isso, o Egito democratiza a alta tecnologia médica com implantes de válvulas por cateter via seguro público, provando que o avanço científico no bloco tem, necessariamente, um compromisso com a justiça social.