A Câmara dos Deputados oficializou a exoneração de todos os servidores que atuavam nos gabinetes de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), após a cassação dos mandatos de ambos. As medidas foram publicadas no Diário Oficial da União na semana passada e confirmam o encerramento formal das atividades administrativas vinculadas aos ex-parlamentares.
Ao todo, foram exonerados nove assessores do gabinete de Eduardo Bolsonaro e 12 do gabinete de Alexandre Ramagem. As exonerações têm efeito retroativo a 18 de dezembro, data em que a Mesa Diretora da Câmara declarou oficialmente a perda dos mandatos.
Desde então, os dois já estavam sem vínculo funcional com a Casa. No sistema interno da Câmara, o gabinete de Eduardo aparece completamente esvaziado, sem qualquer servidor ativo.
Pendência residual no gabinete de Ramagem
No caso de Ramagem, ainda consta uma funcionária vinculada ao gabinete. Trata-se de Eduarda Rafaela de Lucena Nunes, que chegou a atuar na Secretaria de Relações Institucionais nos últimos meses do governo Jair Bolsonaro (PL).
A permanência é tratada internamente como situação administrativa residual, que deve ser regularizada nos próximos dias.
Servidores exonerados
Gabinete de Eduardo Bolsonaro
Lucimar Claudina dos Santos
Telmo Broetto
Carlos Eduardo Guimarães
Alexandre Magno da Conceição
Bárbara Torquato do Nascimento Araújo
Marcelo Pereira de Melo
Bernardo Simões Broetto
Fabiano Augusto de Souza Araújo
Gabinete de Alexandre Ramagem
Núbia Suellen Tramm
Priscilla Pereira e Silva
Gilmar Chaves dos Santos
Elisa Brom de Freitas
Alyson Assis de Mendonça
Monique Pereira Fernandes
Pedro Henrique da Silva Vieira
Paulo Raphael de Araújo Santos Lopes
Christiane Santos da Silveira
Luisiana Pinho Teixeira
Marcos Venicio Soares Júnior
Felipe da Silva Soares
Benefícios cancelados após cassação
Além das exonerações, a Câmara também cancelou os passaportes diplomáticos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. A perda do benefício é automática após a cassação do mandato.
Ramagem ainda ocupa um imóvel funcional da Casa, que deverá ser devolvido conforme os prazos previstos pelas normas internas do Legislativo. Os dois ex-parlamentares também perderam o direito à verba de gabinete, cota parlamentar para passagens aéreas e uso da estrutura institucional.
Motivos distintos para a perda do mandato
Eduardo Bolsonaro teve o mandato cassado por faltas reiteradas às sessões deliberativas. A Constituição determina a perda do cargo para parlamentares que deixam de comparecer a mais de um terço das sessões do ano legislativo. Em 2025, ele faltou a 56 das 71 sessões, o equivalente a 79% de ausência.
Durante o período fora do país, Eduardo esteve nos Estados Unidos, onde atuou politicamente junto a aliados internacionais. Segundo registros públicos, participou de articulações para promover sanções contra o Brasil, incluindo tarifa sobre exportações brasileiras, tentativas de cancelamento de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes.
Já Alexandre Ramagem perdeu o mandato em razão de condenação criminal definitiva no processo que apurou a trama golpista durante o governo Bolsonaro. Nesses casos, a Constituição prevê que a Câmara apenas declare a perda do mandato, sem necessidade de votação em plenário.
Condenado a 16 anos de prisão, Ramagem está foragido nos Estados Unidos e é alvo de pedido formal de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras. A situação segue sob análise do sistema de Justiça, enquanto a Câmara conclui os trâmites administrativos decorrentes da cassação.
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