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Consórcio de adubos verdes garante mais de quatro meses de flores para abelhas

por Celso Ferreira Nery
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O plantio consorciado de três adubos verdes — girassol, nabo-forrageiro e níger — garantiu um período contínuo de aproximadamente 123 dias de florescimento, garantindo oferta permanente de néctar e pólen para diferentes espécies de abelhas. A estratégia testada em Jaguariúna, SP, confirmou que uma diversidade de cultivos prolonga o calendário floral, um recurso essencial tanto para a meliponicultura quanto para uma agricultura familiar que depende da polinização.

De acordo com o bolsista da Embrapa Meio Ambiente André Barbosa, embora cada espécie tenha interrompido a mesma duração de reserva em cultivos solteiros ou em consórcio, a combinação das três culturas possibilitou a sucessão estável de recursos, eliminando lacunas de oferta.

“Estudos anteriores com outras espécies já registraram resultado semelhante, reforçando que o consórcio é uma prática eficiente para ampliar a disponibilidade de flores em sistemas agroecológicos”, explica Barbosa.

“Entre os adubos avaliados, com destaque para o bolsista, o nabo-forrageiro foi o que apresentou maior número de flores por área no pico da orquídea, enquanto o girassol teve a menor oferta. Mesmo sem sobreposição entre os períodos de maior florescimento das três culturas — o que impossibilitou comparações simultâneas de atratividade —, foram registradas diferenças marcantes na intensidade de visitação dos polinizadores”.

O nabo-forrageiro atrai principalmente abelhas-sem-ferrão (ASF), como jataís, mirins e iraís, criadas em meliponários da Embrapa Meio Ambiente. O níger também se destacou, principalmente pela forte presença do mandaguari, PSA abundante na região, observando coletando pólen e néctar em alta frequência. Essa interação, registrada pela primeira vez em estudo sistemático no Brasil, reforça a importância do níger para a meliponicultura.

Na Etiópia, o níger já é considerado uma das plantas apícolas mais relevantes, reconhecida pela oferta abundante de néctar e pólen. No Brasil, análises de mel de Scaptotrigona postica já identificaram pólen da espécie em amostras de Mogi Guaçu (SP). A confirmação de sua atratividade para mandaguari em Jaguariúna amplia as evidências do potencial da planta como recurso estratégico para abelhas nativas.

Já o girassol foi o cultivo mais procurado pela abelha africanizada ( Apis mellifera ), espécie exótica com colônias silvestres comuns na região. Essa diferenciação no comportamento dos polinizadores mostra que a diversidade de adubos verdes favorece diferentes grupos de abelhas, aumentando a resiliência dos sistemas agrícolas.

Além de ampliar e diversificar a oferta floral, explica Joel Queiroga, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e orientador de Barbosa, esses adubos verdes trazem ganhos ambientais e produtivos.

“O girassol, por exemplo, cicla nutrientes das camadas profundas do solo e estimula fungos benéficos. O nabo-forrageiro contribui para a ciclagem de nitrogênio e potássio e apresenta rápida degradação. O níger, mesmo sendo de inverno, adaptou-se bem ao cultivo de verão, florescendo justamente em abril e maio — período de escassez natural de flores na região”, destaca o pesquisador.

Para agricultores familiares e meliponicultores, o consórcio desses adubos verdes representa uma estratégia multifuncional: amplia os recursos florais para abelhas, melhora a qualidade do solo, reduz as plantas plantadas, aumenta a infiltração de água e fortalece a biodiversidade. Na prática, garanta mais alimento para polinizadores, mais segurança para a produção agrícola e mais resiliência frente às mudanças climáticas.

O estudo é de André Barbosa, Marcela dos Santos e Lorenna Brito (bolsistas da Embrapa Meio Ambiente); Aline Maia; Katia Braga e Joel Queiroga (pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente) e foi apresentado no 19º Congresso Interinstitucional de Iniciação Científica – CIIC 2025 em 26, 27 e 28 de agosto de 2025, recebendo menção honrosa.

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