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Dani Monteiro passou a quarta-feira em Brasília com uma agenda que conecta dois temas que raramente ocupam o centro do debate político brasileiro com a atenção que merecem: a participação eleitoral da juventude e a articulação entre movimentos populares e o poder federal. A deputada estadual pelo Rio de Janeiro cumpriu reuniões na Secretaria Nacional da Juventude e na Secretaria-Geral da Presidência da República — e voltou com compromissos concretos em ambas as frentes.
Pela manhã, Dani se reuniu com Vitória Genuíno, secretária nacional de Juventude, para discutir a construção de uma campanha nacional de incentivo ao primeiro voto. O tema não é novo, mas a abordagem que a parlamentar defende tem uma especificidade: transformar o momento do primeiro voto em um ato de consciência política, não de obrigação formal.

O primeiro voto como ponto de partida — não de chegada
A deputada foi direta ao diagnosticar o problema que a campanha pretende enfrentar. “Muitos jovens chegam aos 16, 18 anos sem informação sobre seus direitos e sobre o impacto do voto na vida real”, afirmou. A observação é precisa e o dado subjacente, preocupante: o Brasil tem um dos mais baixos índices de engajamento eleitoral entre jovens de primeira viagem quando se considera não apenas o comparecimento — obrigatório a partir dos 18 anos — mas a consciência sobre o que está sendo escolhido e por quê.
A proposta de Dani parte de uma premissa simples e poderosa: mostrar que a política não é abstrata. Que ela se materializa no ônibus que não passa, na escola que não tem professor, na vaga de emprego que não existe. “A política interfere diretamente no transporte, na educação, no emprego e no futuro de cada um”, disse a parlamentar. É uma tradução pedagógica que a educação política brasileira raramente faz com clareza suficiente — e que, quando feita, costuma mudar a relação do jovem com o processo eleitoral de forma duradoura.
“Nós sabemos da importância do voto para a construção do futuro do país e queremos transformar o primeiro voto em um momento de consciência e protagonismo. Muitos jovens chegam aos 16, 18 anos sem informação sobre seus direitos e sobre o impacto do voto na vida real. Por isso, vamos ampliar o diálogo e mostrar que a política interfere diretamente no transporte, na educação, no emprego e no futuro de cada um. A juventude precisa decidir os rumos do país e ocupar esse espaço. E isso vale especialmente para os jovens fluminenses”, afirmou a deputada do Rio de Janeiro.
Boulos, os movimentos e a articulação que o governo federal precisa fazer
À tarde, Dani esteve com o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, para tratar de pautas sociais e estratégias de articulação entre o governo federal e movimentos populares e culturais. O encontro é parte de um movimento mais amplo que o governo Lula tem tentado consolidar: manter canais de diálogo vivos com as bases organizadas que compõem seu apoio político — bases que, em ciclos anteriores, sentiram que a proximidade com o poder federal foi substituída pela distância institucional.
Boulos, figura histórica dos movimentos de moradia e referência da esquerda urbana brasileira, ocupa um ministério cuja função é exatamente essa: ser a ponte entre o Planalto e a sociedade civil organizada. A reunião com Dani Monteiro — deputada com enraizamento nos movimentos culturais e juvenis fluminenses — é parte da construção desse tecido de articulação que nenhum governo mantém automaticamente e que precisa ser cultivado ativamente.
O Rio de Janeiro como laboratório e como destino
Dani encerrou sua declaração com um recorte territorial que não é casual: “Isso vale especialmente para os jovens fluminenses.” O Rio de Janeiro é um estado com particularidades que tornam o engajamento juvenil tanto mais urgente quanto mais difícil. Uma estrutura de poder historicamente dominada por redes clientelistas, índices de abstenção eleitoral acima da média nacional em certas faixas etárias e uma juventude periférica que convive cotidianamente com as consequências das escolhas eleitorais — na segurança pública, no transporte, na ausência de oportunidades — mas que raramente se vê representada nos espaços onde essas escolhas são feitas.
A campanha que Dani articula com a Secretaria Nacional de Juventude pode, se bem executada, contribuir para mudar essa equação. Não pela via do discurso, mas pela via da conexão direta entre o ato de votar e a realidade concreta que o voto transforma — ou deixa de transformar quando os jovens não aparecem.
A política que se faz fora do plenário
A agenda de Brasília desta quarta-feira é um retrato do tipo de mandato que Dani Monteiro tem construído: uma parlamentar que usa os corredores institucionais não para negociar cargos ou emendas, mas para articular projetos que têm como destinatário final o jovem que ainda não sabe que a política lhe pertence.
Isso não resolve o problema da abstenção jovem sozinho. Não basta uma campanha, por mais bem concebida que seja. Mas começa onde todo processo de mudança começa: com alguém que decidiu que o problema merece uma reunião, um compromisso e uma estratégia — e que foi a Brasília para construir isso.
O primeiro voto é uma porta. O que está do outro lado depende de quem a abre com consciência — e de quem, como Dani Monteiro, decide que é seu papel ajudar os jovens a encontrar a maçaneta.
