Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal caíram 35% entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No período, foram registrados 1.324 km² sob alerta, ante 2.050 km² no ciclo anterior. Em Mato Grosso, entretanto, o cenário apresenta contrastes: enquanto a área sob alerta na porção amazônica diminuiu, o Cerrado registrou aumento expressivo.
Os números foram divulgados nesta quinta-feira (12.02), após reunião da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília.
No bioma Amazônia, Mato Grosso somou 320,79 km² de áreas desmatadas no ciclo mais recente, queda em relação aos 515,78 km² registrados entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, quando o estado teve a segunda maior área sob alerta, atrás apenas do Pará. Entre os municípios com maiores índices recentes estão Nova Maringá (63,79 km²), Colniza (39,35 km²), Marcelândia (21,24 km²) e Nova Ubiratã (19,75 km²).
Já no Cerrado mato-grossense, a tendência foi inversa. A área sob alerta saltou de 144,54 km² no ciclo anterior para 232,04 km² no período mais recente. Tangará da Serra lidera o ranking municipal, com 24,44 km², seguido por Nova Lacerda (21,05 km²), Ribeirão Cascalheira (19,65 km²), Sapezal (17,10 km²) e Cocalinho (16,25 km²).
Áreas de proteção ambiental também aparecem entre os locais afetados. A Área de Proteção Ambiental da Chapada dos Guimarães registrou cerca de 5 km² sob alerta, enquanto a APA Nascentes do Rio Paraguai teve aproximadamente 2,5 km².
No recorte nacional, além da redução na Amazônia, o Cerrado apresentou queda de 6% nos alertas de desmatamento, passando de 2.025 km² para 1.905 km². O Pantanal, por outro lado, teve aumento de 45,5% nas áreas sob alerta no período analisado, embora registre redução em comparação com ciclos anteriores mais longos.

Os dados do Deter também indicam diminuição significativa da degradação florestal na Amazônia. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, foram registrados 2.923 km² de áreas degradadas, contra 44.555 km² no ciclo anterior, uma queda de 93%.
Criado para apoiar ações de fiscalização, o Deter produz alertas diários que subsidiam operações de controle ambiental e complementa o sistema Prodes, responsável por calcular a taxa anual consolidada de desmatamento. Segundo o Prodes, em 2025, o desmatamento caiu 50% na Amazônia e 32,3% no Cerrado na comparação com 2022.
Durante a divulgação, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que os resultados refletem o fortalecimento das políticas públicas baseadas em evidências científicas. O pesquisador Claudio Almeida, coordenador do programa BiomasBR, destacou ainda a aprovação de planos nacionais de prevenção e combate ao desmatamento e às queimadas para todos os biomas brasileiros.
