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O deputado federal mais votado da história do Brasil, mais mentiroso, e agora, literalmente, o mais inoperante, não conseguiu chegar a tempo de votar um projeto de auxílio às vítimas de enchentes no seu próprio estado. Nikolas Ferreira estava num voo. Sem internet.
Que azar.
O Projeto de Lei nº 793/26, que cria medidas emergenciais para os atingidos pelas chuvas que mataram mais de 70 pessoas na Zona da Mata mineira em fevereiro, foi aprovado na Câmara na tarde desta quinta-feira (5). O nome de Nikolas no painel de presença: em branco.
O herói das enchentes — mas só no Instagram
Nikolas Ferreira é deputado por Minas Gerais. Minas Gerais teve mais de 70 mortos nas enchentes de fevereiro. Nikolas esteve nas cidades atingidas — com câmera, equipe e o timing perfeito para os Stories.
Na hora de transformar a visita em voto, porém, o deputado tinha um compromisso anterior: a janela de embarque.
O painel não mente — só o parlamentar faltou
A votação foi simbólica — modelo em que não há registro nominal, e a aprovação ocorre sem contagem individual desde que nenhum parlamentar registre objeção. Simples. Indolor. Praticamente automático.
Nikolas não estava lá nem assim.
Um vídeo divulgado pelo deputado Alencar Santana (PT-SP) mostra o painel de presença durante a deliberação. O nome de Nikolas aparece em branco. A sessão foi encerrada às 13h40. Pouco depois, o deputado registrou presença no plenário — com a votação já encerrada e o projeto já aprovado.
Chegou na hora do cafezinho.
“Estava no voo sem internet” — a explicação que explica tudo
Procurado para comentar a ausência, Nikolas informou que estava em missão oficial e que “estava no voo sem internet”.
Vale registrar: a votação não exigia internet. Exigia presença física — ou ao menos o registro dela antes das 13h40.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia concedido autorização para missão oficial na quarta (4) e na quinta (5). Tudo dentro das regras. Tudo perfeitamente justificável em termos regimentais.
Tudo, exceto a geometria do timing: o deputado de Minas Gerais, em missão oficial, perdeu exatamente a votação sobre Minas Gerais.
O que o PL 793/26 fazia — antes de seguir sem Nikolas
O texto aprovado cria medidas de auxílio emergencial para as famílias atingidas pelas enchentes da Zona da Mata mineira. As chuvas de fevereiro deixaram mais de 70 mortos no estado — o mesmo estado que elegeu Nikolas com a maior votação nominal da história do Congresso brasileiro.
O projeto segue agora para o Senado Federal. Sem a participação do deputado mais popular de Minas. Mas com a aprovação garantida por quem estava lá.
O padrão que o eleitorado de Nikolas vai decidir se enxerga
Nikolas Ferreira construiu sua marca política sobre presença — presença digital, presença performática, presença nos momentos que rendem engajamento. Nas enchentes de fevereiro, estava lá. Na votação de auxílio às vítimas das enchentes, estava no ar — literalmente.
A questão não é regimental. A missão oficial é legítima, a ausência é legal, o voo existiu.
A questão é outra: quando um parlamentar tem 10 milhões de votos e usa cada enchente como cenário, o que significa não estar disponível justamente quando a Câmara vota o socorro às vítimas?
O projeto foi aprovado sem ele. As famílias da Zona da Mata vão receber o auxílio independentemente do painel de presença de Nikolas. Mas o painel ficou registrado — em branco, às 13h39, um minuto antes do encerramento.
A pergunta que fica não é se Nikolas estava num voo. É o que ele teria feito se soubesse que a câmera estaria ligada.
