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Trabalhos por aplicativos sustentam renda e podem atrasar queda da inflação ao centro da meta

por Allan Ravagnani
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A expansão do trabalho por aplicativos pode dificultar a convergência da inflação à meta de 3% ao ano, mesmo com juros elevados e sinais de desaceleração da economia. A avaliação é de economistas, que veem uma mudança estrutural no mercado de trabalho capaz de sustentar a renda das famílias.

Em 2025, o saldo do Caged foi de 1,27 milhão de vagas formais, o menor desde 2020. Ainda assim, a taxa média de desemprego ficou em 5,6%, a menor da série histórica da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O rendimento médio real avançou 5,7%, para R$ 3.560, e a massa de rendimentos subiu 6,4% no último trimestre do ano.

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Aplicativos e renda resistente

Para o economista André Perfeito, a dinâmica atual reflete novos arranjos de trabalho impulsionados por tecnologia e pelo crescimento dos aplicativos. Segundo ele, a Selic pode ter efeito limitado sobre o mercado de trabalho.

Estudo do IBGE divulgado em 2024 mostrou que trabalhadores de aplicativos tinham rendimento médio de R$ 2.996, acima dos R$ 2.875 observados entre os que não atuam por plataformas. Em contrapartida, a jornada média era maior: 44,8 horas semanais ante 39,3 horas.

Entre 2022 e 2024, o número de trabalhadores vinculados a aplicativos cresceu cerca de 25%, alcançando 1,7 milhão de pessoas em atividades como transporte e entregas.

Aplicativos e taxa de desemprego

O pesquisador Daniel Duque, do Fundação Getulio Vargas, avalia que parte do desemprego em mínimas históricas está ligada à expansão dos aplicativos. Segundo ele, a taxa poderia estar até 1 ponto porcentual mais alta sem essa alternativa de ocupação.

Duque afirma que os aplicativos funcionam como um colchão de renda, suavizando perdas em momentos de crise. Para grupos mais propensos a ingressar nesse segmento, o ganho adicional pode chegar a R$ 300 em relação a outros trabalhadores.

Inflação e composição do emprego

Apesar do argumento de absorção pela informalidade, há divergências. Henrique Danyi, do Santander Brasil, afirma que o emprego formal tem mostrado maior resiliência. Segundo ele, a taxa de formalidade está em nível recorde.

No BTG Pactual, o economista-chefe Mansueto Almeida projeta taxa de desemprego de 6% ao fim de 2026, acima dos 5,1% registrados em 2025, mas ainda em patamar historicamente baixo.

O avanço dos aplicativos altera a composição do mercado de trabalho e pode manter a massa de rendimentos elevada, mesmo com desaceleração do PIB. Esse fator tende a sustentar a demanda e prolongar o processo de desinflação, dificultando a convergência da inflação à meta definida pelo Banco Central.

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