Casa BrasilVorcaro e Moraes usavam recurso do WhatsApp para driblar grampos; entenda porque falhou

Vorcaro e Moraes usavam recurso do WhatsApp para driblar grampos; entenda porque falhou

por Allan Ravagnani
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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes se comunicavam por um método que dificultava o rastreamento das mensagens.

Os dois escreviam os textos em blocos de notas nos próprios celulares, faziam capturas de tela e enviavam as imagens com a função de visualização única no WhatsApp. O conteúdo some automaticamente após ser aberto pela primeira vez.

Mas se o método é realmente seguro, por que ambos foram descobertos?

A resposta é que a disciplina se faz necessária até mesmo para realizar atos supostamente ilícitos – ou no mínimo imorais (sem trocadilho).

O celular apreendido pela PF foi o de Vorcaro, e nas conversas com Moraes, não foi possível ver as respostas do ministro, pois este deletava o histórico. Já Vorcaro, mantinha os ‘prints’ gravados na memória do dispositivo, facilitando o trabalho da PF, que cruzou os horários registrados no WhatsApp com o horário das capturas de tela.

Leia também: Horas antes da prisão, Vorcaro trocou mensagens com Moraes para salvar o Master

Método confirmado pelos horários

Os registros no aparelho apreendido ajudaram a reconstituir a dinâmica das trocas. Os horários das notas produzidas por Vorcaro coincidem com os dos envios registrados no WhatsApp – normalmente com diferença de cerca de um minuto entre o salvamento do texto e o envio da imagem.

Apenas uma mensagem apresenta intervalo maior: seis minutos entre o registro da nota e o disparo. O padrão reforça que o método era aplicado de forma sistemática nas comunicações entre os dois.

Conversa no dia da prisão de Vorcaro

As mensagens mais relevantes foram trocadas ao longo do dia 17 de novembro de 2025, a mesma data em que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. Segundo imagens concedidas à coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, o banqueiro usou as trocas para atualizar Moraes sobre o andamento das negociações para a venda do Banco Master.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou ter antecipado o negócio envolvendo o banco e disse ter conseguido “salvá-lo”, ainda que não da forma como desejava.

Inquérito e pedido ao ministro

Ao longo do dia, Vorcaro também mencionou o inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília e que acabou resultando em sua prisão. Em outro trecho, ele citou um vazamento e afirmou que a situação “será péssima, mas pode ser um gancho para entrar no circuito do processo”.

O banqueiro perguntou duas vezes a Moraes se havia alguma novidade. Em determinado momento, questionou diretamente: “Conseguiu bloquear?”.

As mensagens não deixam claro a que pedido ou ação a pergunta se referia.

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