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Celso Amorim: Preparemo-nos para o pior após ataques EUA-Israel ao Irã

por JR Vital
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O cenário geopolítico global acaba de atravessar um ponto de não-retorno. A afirmação do embaixador Celso Amorim de que o Brasil deve “se preparar para o pior” após os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não é um mero vaticínio pessimista; é a leitura cirúrgica de um diplomata que entende que as vigas de sustentação da ordem global foram implodidas. O assassinato do Líder Supremo Ali Khamenei, em exercício de suas funções, não é apenas um golpe militar de precisão; é a declaração de que a diplomacia foi substituída pela execução sumária em escala estatal.

Para o observador sofisticado, a fala de Amorim revela a angústia de uma nação que aposta no multilateralismo enquanto as grandes potências abraçam o arbítrio. Ao afirmar que “ninguém é juiz do mundo”, Amorim ataca o núcleo da doutrina de excepcionalismo que Washington e Tel Aviv aplicam no Oriente Médio. O risco de “alastramento” mencionado pelo assessor especial é uma realidade técnica: a rede de influência xiita, que se estende do Líbano ao Iêmen, não responderá apenas com mísseis, mas com uma desestabilização assimétrica que pode paralisar as rotas comerciais mais vitais do planeta.

O Sul Global e a Recusa à Barbárie Técnica

Nós entendemos que a posição do Brasil, sob a orientação de Amorim e Lula, busca preservar um espaço de racionalidade em meio ao delírio belicista. A condenação brasileira à morte de um líder de Estado é pedagógica: se as fronteiras e as lideranças não são mais sagradas, nenhum país — especialmente os do Sul Global — está seguro contra o “julgamento” unilateral das potências atômicas. A agressão a Teerã é um retrocesso que nos remete aos períodos mais sombrios da história, onde a força bruta era a única linguagem reconhecida.

No Diário Carioca, defendemos que a análise deste conflito não pode ignorar a hipocrisia das democracias liberais que celebram assassinatos políticos como vitórias da liberdade. O que está em jogo é o próprio conceito de civilização. O Irã, em sua retaliação imediata contra bases norte-americanas, demonstra que a decapitação de seu comando não gerou paralisia, mas um desejo de vingança sistêmica. A pergunta que Amorim deixa no ar é: quem pagará a conta de uma conflagração que ninguém terá capacidade de conter?

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