Casa JudiciárioFamília contesta laudo e pede nova perícia em câmeras de segurança no caso de pecuarista morto por investigador em Cuiabá

Família contesta laudo e pede nova perícia em câmeras de segurança no caso de pecuarista morto por investigador em Cuiabá

por Da Redação
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A família do pecuarista João Antônio Pinto, morto em fevereiro do ano passado durante uma operação da Polícia Civil na região do Contorno Leste, em Cuiabá, questiona o laudo pericial que analisou as câmeras de segurança da chácara onde ocorreu o crime e cobra agilidade na conclusão do inquérito, que segue sem desfecho.

Questionamentos sobre o laudo

O investigador Jeovânio Vidal Gabriel confessou ter efetuado o disparo que matou o idoso, mas alegou legítima defesa, afirmando que João teria sacado uma arma ao ser abordado. A Diretoria Metropolitana de Criminalística analisou o DVR (gravador digital de vídeo) do sistema de segurança e concluiu que o equipamento não registrava imagens desde janeiro de 2022, mais de um ano antes do crime, operando apenas no modo de visualização.

A conclusão causou estranheza à família, que garante que as câmeras funcionavam normalmente e eram monitoradas com frequência por causa de ameaças de invasão à propriedade.

“A câmera não estava gravando e voltou a gravar justamente quando a perícia chegou, o que não faz sentido. Eles tinham certeza de que o sistema funcionava”, afirmou a advogada Gabriela Zaque, que representa os familiares.

Os filhos do pecuarista pedem que o Ministério Público Estadual (MPE) determine uma nova perícia nas imagens armazenadas pela Politec, com o objetivo de esclarecer se houve falha técnica, adulteração ou erro no procedimento pericial.

Contradições e novos pedidos

A defesa também questiona a conclusão da Polícia Civil de que houve legítima defesa. O caseiro da chácara, que presenciou parte da ação, afirmou em depoimento não ter visto João sacar a arma, mas apenas se abaixar quando os agentes chegaram.

Além disso, exames realizados nos celulares do investigador e de seu cunhado, Elmar Soares Inácio — responsável por acionar a polícia no dia do crime — não encontraram indícios de premeditação ou ajuste prévio entre eles.

Mesmo assim, o Ministério Público solicitou novas diligências e devolveu o inquérito à delegacia para complementação das investigações, após o delegado Marlon Conceição Luz ter sugerido o arquivamento em novembro de 2024.

“A família quer justiça. Quer que o Ministério Público determine uma nova análise sobre o material que está com a Politec, e não apenas aquele cuja conclusão foi de que as câmeras não estavam gravando”, reforçou a advogada.

O crime

O episódio ocorreu após Elmar Soares Inácio denunciar ter sido ameaçado por João Antônio, que supostamente portava uma arma. Ele enviou a foto da placa do veículo do idoso ao investigador Jeovânio, que se dirigiu ao local com uma equipe da Delegacia de Estelionato.

Durante a abordagem, o pecuarista foi atingido por um único disparo fatal. A Polícia Civil e o Departamento de Homicídios concluíram preliminarmente pela legítima defesa, mas a versão é contestada pelos familiares, que insistem na reabertura da perícia e no prosseguimento do inquérito

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