Casa JudiciárioJustiça condena empresário de MT por golpe virtual de R$ 23 milhões

Justiça condena empresário de MT por golpe virtual de R$ 23 milhões

Defesa recorre e alega que réu apenas jogava Counter Strike

por Da Redação
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Por Herbert Costa

A defesa do empresário de Colniza (1.064 Km de Cuiabá), Edson Cavenaghi Júnior, condenado a 4 anos e 5 meses de prisão por invasão de computadores, ingressou com um pedido de absolvição no Poder Judiciário. Cavenaghi é um dos alvos da operação “Grandoreiro”, da Polícia Federal, que revelou golpes em desvios de contas bancárias por meio de um malware – termo genérico utilizado para softwares maliciosos utilizados em crimes, como um vírus de computador, por exemplo.

A defesa de Edson é realizada pelo advogado Herbert Thomann. Em sentença do último dia 3 de julho, Cavenaghi foi condenado pelo juiz da 10ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Silvio Gemaque, a 4 anos e 5 meses de prisão no regime semiaberto, sendo absolvido do crime de furto.

Conforme a defesa do empresário, nenhum dos bancos citados nas investigações – Caixa Econômica Federal (CEF) e Caixa Bank, da Espanha -, foram alvos de invasões, e sim clientes das instituições financeiras no exterior. Sem a representação formal das vítimas de invasão em seus computadores – que não existe nos autos -, não seria possível condenar Cavenaghi, segundo sua defesa.

“Se os bancos não foram vítimas dos crimes, como afirmado pelas próprias testemunhas da acusação e reconhecido de forma implícita na sentença (a qual consignou não haver identificação das vítimas nem dos valores eventualmente transferidos), então não há como se sustentar a validade da ação penal sem que tenha havido representação formal por parte dos clientes lesados”, diz a defesa.

O recurso que pede a absolvição do empresário também sustenta que Cavenaghi deveria ser beneficiado com a detração de sua pena em razão de ter ficado preso durante 6 meses e 22 dias, o que diminuiria sua sentença para 3 anos e 11 meses de prisão, o levando ao regime aberto. Ainda não há decisão sobre os pedidos.

Num dos depoimentos prestados no processo, o empresário alega que utilizada seu computador para jogar “Counter Strike” – um First Person Shooter (FPS, ou tiro em primeira pessoa) que tem o objetivo de matar seus adversários utilizando armas de fogo e também armas brancas. No início das investigações que culminaram na operação “Grandoreiro”, a Polícia Federal apontou que as fraudes ocorreram entre 2019 e o início de 2024, desviando € 3,6 milhões – na cotação deste dia 15 de julho de 2025, R$ 23,2 milhões.

O próprio juiz Silvio Gemaque, porém, admitiu que a Polícia Federal não conseguiu comprovar os supostos valores subtraídos pelos suspeitos, nem identificar todas as vítimas dos desvios. “A delegada federal responsável pelas investigações afirmou que não foi possível comprovar que os valores com movimentação suspeita observados nas contas dos acusados vieram diretamente das contas das vítimas. Confirmou também que o foco da investigação não foi identificar vítimas ou rastrear valores desviados e que não foi possível aprofundar sobre os valores ou contas fraudadas porque ela não participou da fase inicial da investigação e esse não foi o foco principal da apuração”, admitiu o juiz.

Além de Cavenaghi, outras duas pessoas, identificadas como Luan Silva Rios e Leonardo Leandro, também foram condenadas a 4 anos e 5 meses no esquema. A PF revelou que a origem das invasões foram realizadas em computadores localizados em Colniza e em Carapicuíba, município da região metropolitana de São Paulo (SP).

DIEGO FREDERICI
Da Redação do Folhamax

 

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